Mercado Financeiro: principais notícias de 20/07 a 24/07
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1. BCB estabelece prazos internos para processos de autorização
Na terça-feira (21), foi publicada a Portaria nº 127.250/2026, que disciplina a troca interna de informações em processos de autorização conduzidos pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro (DEORF). A norma abrange pedidos relacionados ao funcionamento de instituições, reorganizações societárias, mudança de objeto social e atuação no mercado de câmbio, entre outros. Para instruir esses processos, o DEORF utilizará prioritariamente as informações disponíveis em sistemas informatizados. Quando esses dados forem insuficientes ou houver necessidade de esclarecimentos adicionais, poderá solicitar manifestação das áreas de supervisão competentes, quais sejam: o Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), o Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (DESUC), o Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (DESIG) e o Departamento de Supervisão de Conduta (DECON). O prazo para manifestação conclusiva pelas unidades consultadas será de até 30 dias, podendo chegar a 60 dias e ser prorrogado por mais 30 em casos específicos.
Portaria do BC fixa prazos para autorizações de instituições supervisionadas
2. Pagamentos por IA avançam e ampliam debate regulatório
Ao longo deste ano, os pagamentos agênticos começaram a ganhar espaço no mercado financeiro, permitindo que agentes de inteligência artificial pesquisem produtos, negociem preços e concluam compras em nome dos usuários. A principal inovação consiste na delegação da autorização de pagamento ao agente de IA, que apresenta ao lojista um mandato concedido pelo usuário e uma credencial de pagamento, exigindo mecanismos de autenticação e prevenção a fraudes. Visa e Mastercard já anunciaram iniciativas voltadas a esse modelo, inclusive em parceria com instituições brasileiras, utilizando credenciais tokenizadas para viabilizar transações seguras. No Brasil, o mercado avalia a integração dessa tecnologia ao Pix, e a expectativa é que o BCB discuta o tema por meio de consulta pública nos próximos meses. Paralelamente, seguem os debates sobre o papel regulatório do BCB e sobre a arquitetura desse mercado, que poderá se concentrar nas grandes empresas de tecnologia ou favorecer a entrada de novos participantes.
3. Governo e Google criam sistema de verificação para anúncios financeiros
Na última sexta-feira (17), o Ministério da Justiça anunciou um acordo com o Google Brasil para criar um sistema de verificação de anunciantes de produtos e serviços financeiros. A iniciativa, conduzida pela Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) e pela Secretaria de Direitos Digitais (SEDIGI), busca reduzir golpes envolvendo investimentos fraudulentos, empréstimos falsos, instituições inexistentes e outras práticas ilícitas que utilizam a publicidade digital para atrair consumidores. Para veicular anúncios, as empresas deverão comprovar sua identidade e existência legal, a autorização do regulador competente e a legitimidade de seu representante. Após a validação, receberão o status de “anunciante financeiro verificado”, que será exigido para a veiculação dos anúncios. O Google poderá suspender ou revogar a aprovação em caso de informações falsas, perda da autorização regulatória ou indícios de fraude. O acordo está alinhado ao decreto que regulamentou o Marco Civil da Internet e prevê que o compartilhamento de informações observe a LGPD, com uso apenas dos dados necessários à verificação.
Antes de anunciar investimentos, empresas terão de provar que são legítimas
4. CVM cria GT para desenvolver regulação da tokenização de valores mobiliários
Na segunda-feira (20), a CVM instituiu, por meio da Portaria CVM/PTE nº 177, o Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) para estudar medidas para registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários em infraestruturas de registro distribuído (DLT). Formado por representantes de 14 áreas da CVM, o grupo poderá consultar órgãos públicos, entidades de mercado e especialistas. Entre suas atribuições está a análise de experiências nacionais e internacionais, dos resultados do sandbox regulatório, dos impactos da tecnologia DLT, dos riscos cibernéticos e de eventuais ajustes regulatórios, além da realização de testes experimentais. Em até 60 dias, o GTT deverá apresentar proposta de regime regulatório experimental e, ao término dos trabalhos, elaborar relatório com recomendações para a regulamentação da tokenização. A iniciativa acompanha o avanço desse mercado no Brasil, que já movimenta cerca de USD 2.34 bilhões em ativos tokenizados, segundo a RWA Monitor, dos quais aproximadamente USD 1.3 bilhões correspondem a debêntures e notas comerciais.
CVM institui Grupo de Trabalho para desenvolver estudos sobre tokenização de valores mobiliários
PORTARIA CVM/PTE/Nº 177, DE 15 DE JULHO DE 2026
CVM acelera agenda de tokenização e prepara testes para nova regulação do mercado de capitais
5. Duplicatas escriturais impulsionam investimentos e aquisições em tecnologia
Na quarta-feira (15), teve início a produção assistida das duplicatas escriturais, última etapa que antecede a operação plena do novo ecossistema regulado pelo BCB. Empresas do setor tem intensificado investimentos em infraestrutura tecnológica e movimentos de consolidação para atender às novas exigências. O novo modelo exigirá integração entre empresas e escrituradoras e atualização de sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERPs) e das plataformas de gestão financeira. A demanda tem se concentrado na conexão com a infraestrutura das escrituradoras e na contratação de soluções para administrar os processos de manifestação e liquidação das duplicatas. O cenário também vem estimulando aquisições estratégicas, como a compra da RGBtec pela Quick Soft, enquanto participantes como a Cerc avaliam novas oportunidades. O principal desafio será conduzir a transição de forma planejada, sem comprometer a continuidade das operações. A expectativa é que a nova infraestrutura amplie a rastreabilidade das operações, reduza fraudes e fortaleça o mercado de crédito com maior eficiência operacional.
Duplicatas escriturais aceleram aquisições e investimentos em tecnologia