Mercado Financeiro: principais notícias de 24/08 a 28/08
Autores
1. BCB busca acesso antecipado a modelos de IA para proteger o sistema financeiro
Nesta segunda-feira (24), durante a FEBRABAN TECH 2026, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do BCB, Caio Moreira Fernandes, afirmou que a autarquia está negociando parcerias com empresas de tecnologia e instituições financeiras para obter acesso antecipado a modelos de inteligência artificial ainda em desenvolvimento, com o objetivo de identificar riscos e preparar o sistema financeiro para novas ameaças. Entre os principais riscos estão o uso de IA para identificar vulnerabilidades e ampliar ataques cibernéticos, bem como os impactos da computação quântica nos atuais mecanismos de criptografia. A iniciativa toma como referência projetos internacionais que permitem o acesso antecipado a modelos de IA, a fim de identificar vulnerabilidades antes do lançamento no mercado. Durante o debate, os participantes também destacaram que parte das instituições ainda opera com estruturas de segurança fragmentadas, compostas por diferentes sistemas e ferramentas que nem sempre funcionam de forma integrada. A tendência apontada é a de uma evolução para uma “proteção orientada ao contexto”, capaz de consolidar diferentes alertas e informações para identificar não apenas eventos isolados, mas também o contexto de potenciais incidentes. Para o setor financeiro, a capacidade de se antecipar aos avanços tecnológicos e a integração das camadas de segurança são consideradas fundamentais para fortalecer a prevenção e a resposta a ataques.
Banco Central negocia acesso a modelos de IA antes do lançamento para proteger o sistema financeiro
2. Com o amadurecimento da infraestrutura, Open Finance passa a priorizar a qualidade dos dados
Nesta segunda-feira (24), durante a FEBRABAN TECH 2026, o maior evento de inovação e tecnologia do setor financeiro, Janaína Attie, consultora do BCB, afirmou que o principal desafio do Open Finance no Brasil passou a ser garantir a qualidade dos dados compartilhados entre as instituições, após a consolidação da infraestrutura e das jornadas de compartilhamento. Segundo Attie, as instituições já conseguem se comunicar e as jornadas funcionam para os clientes, mas é necessário aprimorar a qualidade das informações para ampliar o valor entregue. O Open Finance completa 6 anos de regulamentação neste ano e já ultrapassou 135 milhões de consentimentos ativos para compartilhamento de dados. O BCB também trabalha em iniciativas para aprimorar a qualidade das informações e avançar na portabilidade de salários e de investimentos. Para Attie, embora o Brasil seja referência global no tema, ainda há espaço para ampliar os benefícios do sistema, especialmente em termos de efetividade, qualidade e segurança.
Para BC, desafio do open finance é compartilhar dados com qualidade
3. BCB avança na contratação da Hypernative para monitoramento, em tempo real, de fraudes envolvendo ativos virtuais
A Hypernative divulgou que o BCB está avançando no processo de contratação da empresa, após a realização de uma prova de valor, para implementar um sistema de monitoramento contínuo de fraudes envolvendo ativos virtuais. A ferramenta busca identificar, em tempo real, movimentações e padrões suspeitos, inclusive sinais que possam anteceder a transferência de recursos provenientes de fraudes para o mercado de ativos virtuais. Segundo Regina Pedroso, diretora-executiva da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), a solução já passou por testes com dados do mercado brasileiro. De acordo com o comunicado da Hypernative, em um dos casos, o sistema emitiu um alerta 14 horas antes da movimentação de recursos posteriormente associada a uma fraude confirmada. A iniciativa também prevê o compartilhamento de alertas com as associações do mercado, que deverão distribuí-los entre seus associados. De acordo com Pedroso, uma das preocupações do BCB é ampliar a rastreabilidade dos recursos quando deixam o sistema financeiro tradicional e migram para o mercado de ativos virtuais, inclusive por meio de carteiras digitais.
BC prepara sistema de alertas para ameaças envolvendo criptoativos
4. BCB acelera atualização de informações de crédito no SFN
Nesta quarta-feira (26), o BCB informou que passou a disponibilizar informações mais tempestivas sobre operações de crédito contratadas no Sistema Financeiro Nacional. Com a publicação da Resolução BCB nº 413/2024, da Instrução Normativa BCB nº 530/2024 e da Resolução BCB nº 516/2025, eventos como concessões, cessões, portabilidade, pagamentos de parcelas e liquidações passaram a ser apurados diariamente e enviados ao Sistema de Informações de Créditos (SCR) em até cinco dias úteis. Na prática, informações que anteriormente poderiam levar até 45 dias para aparecer nas consultas ao bureau de crédito passam a ser atualizadas em até 7 dias úteis, permitindo que cidadãos e empresas tenham avaliações de crédito baseadas em dados mais recentes. Inicialmente, a atualização está disponível apenas no bureau de crédito, enquanto o BCB trabalha para implementar a mesma sistemática no Registrato.
Banco Central torna mais tempestivas as informações disponibilizadas no birô de crédito
5. Anbima lança guia para reforçar gestão de risco em securitizações
Nesta quinta-feira (27), a Anbima lançou o Guia de Metodologia PDD (Provisão para Devedores Duvidosos em Ativos de Securitização), elaborado em conjunto com participantes do mercado. O documento reúne boas práticas para apoiar securitizadoras na mensuração, no reconhecimento e no monitoramento do risco de crédito, com foco em maior transparência, comparabilidade e governança nas operações estruturadas. Entre as recomendações, estão a adoção de metodologia baseada em perdas esperadas, a avaliação da recuperabilidade dos ativos e das garantias, a definição de gatilhos para provisionamento e a revisão periódica da PDD. O guia também apresenta o chamado “efeito vagão”, segundo o qual uma deterioração relevante do risco de crédito de determinado devedor ou grupo econômico pode levar à revisão das provisões aplicáveis aos ativos relacionados. O material tem caráter orientativo e não integra as regras de autorregulação da Anbima.
Lançamos guia para reforçar transparência e gestão de risco nas securitizações
Profissionais relacionados