Mercado Financeiro: principais notícias de 03 a 07/08
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1. CVM cria divisão dedicada a tecnologia financeira e inteligência artificial
Na última sexta-feira (31), a CVM criou a Divisão de Tecnologia Financeira (DITEC), vinculada à Superintendência de Desenvolvimento de Inteligência (SDI), por meio da Resolução CVM nº 246. A nova unidade terá como foco o acompanhamento de tecnologias financeiras emergentes, seus impactos e riscos para o mercado de capitais, além do apoio a iniciativas de tokenização, Sandbox Regulatório e debates internacionais. A norma reforça diretrizes de governança e uso ético de inteligência artificial e ajusta competências de outras áreas da Autarquia, como a Gerência de Licitações (GELIC), da Superintendência Administrativo-Financeira (SAD); a Gerência de Supervisão de Intermediários (GSUI-2) e a Divisão de Estatísticas e Monitoramento de Mercado (DEMON).
2. Estudo aponta que fintechs priorizam cada vez mais a gestão de riscos, inclusive em detrimento de crescimento acelerado
As fintechs brasileiras vêm substituindo a busca por crescimento acelerado por maior atenção à gestão de riscos e à governança, segundo o relatório Perfil das Lideranças em Fintechs no Brasil 2026. O estudo aponta que 43% das lideranças entrevistadas avaliam o apetite ao risco antes de definir a velocidade de execução, enquanto apenas 17% priorizam inovação e rapidez sobre o compliance. A governança das instituições, porém, ainda é pouco madura: 60% a classificam como intermediária e 23% como baixa. O levantamento também destaca o avanço da inteligência artificial – com 66% dos entrevistados afirmando utilizar ferramentas de IA generativa diariamente – acompanhado por riscos ligados ao uso de ferramentas sem políticas formais ou supervisão interna.
Fintechs trocam crescimento acelerado por gestão de riscos, aponta estudo
Relatório Diagnóstico: Perfil das Lideranças em Fintechs no Brasil — 2026
3. CVM avança na criação de regime experimental para tokenização no mercado de capitais
A CVM realizou, na última sexta-feira (31), a primeira reunião do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) com associações, entidades e autorreguladores do mercado de capitais para discutir a criação de um regime regulatório experimental para ativos tokenizados. O encontro reuniu mais de 50 participantes e abordou diferentes infraestruturas de rede para emissão, negociação e pós-negociação desses ativos. O objetivo é testar modelos que subsidiem uma futura regulamentação sem restringir inovações tecnológicas. O grupo trabalha com prazos de 60 dias para apresentar uma proposta normativa e de 120 dias, prorrogáveis por 30, para concluir relatório com os próximos passos da CVM sobre o tema – contados a partir de 17 de julho de 2026, quando foi publicada a Portaria CVM/PTE nº 177.
4. BCB deve ampliar exigências de divulgação de dados climáticos por instituições financeiras
O BCB deve aprovar, ainda neste mês, nova regulamentação para ampliar a divulgação de informações ESG pelas instituições financeiras, segundo Kathleen Krause, chefe-adjunta do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BCB. O anúncio foi feito durante o Fórum de Finanças Sustentáveis, promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), no âmbito da edição deste ano da São Paulo Climate Week, realizada entre os dias 3 e 7 de agosto. A norma deverá exigir dados quantitativos sobre a exposição das instituições a setores relevantes em emissões de gases de efeito estufa, como energia, agropecuária e mineração, incluindo indicadores e metas por setor e região. Segundo o BCB, a medida busca alinhar a regulação brasileira a padrões internacionais, reduzir custos de observância e reforçar a supervisão sobre riscos climáticos e de sustentabilidade no sistema financeiro.
BC deve aprovar neste mês nova norma de divulgação de dados ESG
5. Prazo para cumprimento da Política de Qualidade de Informações enviadas ao BCB se encerra este ano
As instituições reguladas pelo BCB têm até 31 de dezembro de 2026 para se adequar à Resolução Conjunta nº 18, editada em 28 de novembro de 2025, que instituiu a Política de Qualidade das Informações enviadas ao BCB. A norma exige que dados, documentos e relatórios tenham origem comprovável, responsáveis definidos, histórico rastreável e processos auditáveis, com avaliação baseada em critérios como precisão, completude e consistência. O cumprimento demandará reforço da governança de dados, documentação de processos, monitoramento contínuo e maior envolvimento da alta administração. O descumprimento poderá gerar responsabilização e, em casos mais graves, processo administrativo sancionador.
Bancos e fintechs correm contra o tempo para atender exigência de dados do BC