Mercado Financeiro: principais notícias de 01 a 05/06
Autores
1. CVM altera regras relativas à divulgação de informações financeiras sobre sustentabilidade
Na última sexta-feira (29), a CVM editou a Resolução CVM nº 244, que altera a Resolução CVM nº 193, de 20 de outubro de 2023, e elimina a futura obrigatoriedade de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade por companhias abertas. Empresas que optarem pela divulgação deverão observar os padrões internacionais e manter o reporte por pelo menos três exercícios sociais consecutivos. A medida busca ampliar a flexibilidade regulatória, em meio a debates entre emissores e investidores sobre os custos e benefícios da adoção dessas práticas. A mudança foi recebida com preocupação por algumas entidades do mercado, como a Associação Nacional das Empresas dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), que destacou a importância da previsibilidade regulatória e da convergência a padrões internacionais de transparência para o fortalecimento do mercado de capitais e a atração de investimentos.
2. BCB passa a exigir auditoria independente de PSAVs para obtenção de autorização de funcionamento
Na última sexta-feira (29), o BCB publicou a Instrução Normativa BCB nº 739, que passa a exigir que Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) apresentem relatório de asseguração razoável emitido por auditoria independente registrada na CVM para obtenção de autorização de funcionamento. A medida busca reforçar os controles de prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo, a fraudes e a outras atividades ilícitas, aumentando a segurança, a transparência e a aderência do mercado brasileiro de criptoativos aos padrões internacionais de supervisão e conformidade. A medida também se aplica a corretoras de câmbio, corretoras de títulos e valores mobiliários e distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
Instrução Normativa BCB n° 739 de 29/5/2026
BC passa a exigir auditoria independente de empresas de cripto
3. BCB revisa metodologia de apuração do montante a ser alocado em títulos públicos federais por instituições financeiras após caso Master
Na última sexta-feira (29), o BCB publicou a Resolução BCB nº 572, que altera regras para as contribuições ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) previstas na Resolução BCB nº 102, de 7 de junho de 2021. A alteração faz parte do conjunto de novas regras que o BCB vem estabelecendo após o impacto causado pela crise do Banco Master. A resolução cria o Ativo de Referência (AR), indicador definido como o "conjunto de ativos destinados à intermediação financeira e à gestão de liquidez, cuja composição reflete a qualidade das aplicações dos recursos captados, observados critérios de transparência e de exposição a riscos". Bancos cujo risco potencial superar a capacidade de cobertura de seus ativos deverão manter a diferença aplicada em títulos públicos federais, fortalecendo a proteção ao sistema financeiro.
CVM prevê consulta pública sobre tokenização ainda este ano, diz superintendente
Banco Central muda regras do FGC após rombo bilionário do Master
4. Em decisão inédita, fintech consegue liminar na justiça contra decisão administrativa do BCB que negou sua autorização de funcionamento
Na semana passada, a fintech de pagamentos Corpag (antiga CorpX) obteve decisão liminar inédita suspendendo os efeitos da negativa do BCB ao seu pedido de autorização para funcionar como instituição de pagamento. O caso reacendeu o debate sobre os limites do controle judicial sobre decisões regulatórias do BCB, especialmente em um contexto de endurecimento das exigências de capital e governança para fintechs. O regulador teme que a decisão abra precedente para uma série de ações semelhantes e busca no STF um entendimento uniforme para evitar a insegurança jurídica no setor.
Fintech tem licença negada pelo BC, entra na Justiça e consegue liminar inédita
BC busca no STF entendimento para evitar enxurrada de ações judiciais de fintechs com licença negada
5. Estados Unidos questionam suposto favorecimento comercial ao Pix no Brasil e reacendem debate sobre concorrência no mercado de pagamentos
Na última segunda-feira (1), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) incluiu o Pix em sua investigação sobre possíveis práticas comerciais discriminatórias do Brasil, alegando que o BCB favorece o sistema de pagamentos instantâneos ao atuar simultaneamente como regulador e operador da infraestrutura. O órgão aponta regras como a participação obrigatória de determinadas instituições e a gratuidade para pessoas físicas como exemplos de tratamento preferencial. Em resposta, entidades do setor – como a Febraban, a Abracam e a Zetta – defenderam o Pix como uma infraestrutura aberta, não discriminatória e complementar aos demais meios de pagamento, destacando seu papel na ampliação da concorrência, da inovação e da inclusão financeira no país.
Febraban diz acreditar que avaliação dos EUA sobre o Pix resulta de informações incompletas
Com Pix na mira dos EUA, Abecs diz que é a favor da pluralidade de arranjos de pagamento
Abracam defende Pix e diz que eventuais disparidades devem ser tratadas por vias técnicas