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Mercado Financeiro: principais notícias de 20 a 24/4

24 abr. 2026 Brasil 5 min de leitura

Leia nesta página

1. CMN edita resolução sobre mercado de derivativos e veda contratos vinculados a eventos sem referencial econômico-financeiro

Nesta sexta-feira (24), foi publicada a Resolução CMN nº 5.298, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do mercado de derivativos no país. A norma estabelece princípios mínimos a serem observados pelo mercado, incluindo proteção aos investidores, transparência, integridade, eficiência, prevenção à arbitragem regulatória e estímulo à inovação. O principal ponto é a vedação à oferta e negociação, no Brasil, de derivativos vinculados a eventos esportivos, jogos on-line e eventos de natureza política, eleitoral, social, cultural, de entretenimento ou de qualquer outra temática que, a critério da CVM, não represente referencial econômico-financeiro. A restrição também alcança ofertas realizadas no território nacional, ainda que relativas a derivativos negociados no exterior. A Resolução ainda atribui à CVM competência para editar normas complementares necessárias à sua implementação e entra em vigor em 4 de maio de 2026.

Resolução CMN n° 5.298 de 24/4/2026

2. CMN reforça regras aplicáveis ao FGC e altera regras relativas à contribuição adicional e alocação de montantes

Em reunião realizada nesta quinta-feira (23), o CMN aprovou a Resolução CMN nº 5.295, que altera as regras aplicáveis às instituições associadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ajustando a contribuição adicional e aprimorando as condições em que as instituições devem manter montantes alocados exclusivamente em títulos públicos federais. A norma estabelece, como um de seus principais pontos, o conceito de Ativo de Referência, indicador que busca refletir a qualidade, a diversificação e a transparência dos ativos da instituição, prevendo que, quando o volume de recursos captados com garantia do FGC superar esse indicador, a instituição deverá direcionar, de forma gradual, parte desses recursos para títulos públicos federais. A medida busca mitigar o risco moral associado a captações excessivamente ancoradas na garantia do FGC e entra em vigor em 1º de junho de 2026.

Resolução CMN n° 5.295 de 23/4/2026

3. Setor financeiro discute criação de fórum para compartilhamento de informações sobre incidentes cibernéticos

Em meio ao aumento recente de incidentes cibernéticos envolvendo instituições financeiras, intensificou-se no mercado o debate sobre a criação de um fórum setorial mandatório para análise e compartilhamento de informações sobre ataques e falhas de segurança. A proposta busca ampliar a cooperação e a transparência entre regulador e participantes do setor, permitindo que causas e vulnerabilidades identificadas em cada incidente sejam discutidas de forma estruturada, à semelhança de outros setores críticos, com o objetivo de evitar a repetição de falhas semelhantes. Embora o Banco Central tenha adotado medidas para reforçar exigências prudenciais, políticas de cibersegurança e controles sobre elos intermediários do sistema, persiste a avaliação de que os mecanismos atuais não alcançam todo o mercado, especialmente diante da entrada de novos participantes sem padrões mínimos homogêneos de segurança. O tema ganhou relevância adicional após novo ataque cibernético, que teve como foco contas de clientes e reforçou a percepção de aumento na frequência e sofisticação desses incidentes no sistema financeiro.

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4. FSI publica estudo sobre provedores de serviços de criptoativos como intermediários financeiros

Nesta quinta-feira (23), o Financial Stability Institute (FSI), vinculado ao Banco de Compensações Internacionais (BIS), publicou estudo sobre a expansão dos provedores de serviços de criptoativos (CASPs) para além das atividades tradicionais de negociação e custódia. O artigo aponta que as maiores plataformas do setor passaram a oferecer produtos como programas de rendimento, empréstimos garantidos e com margem, derivativos e emissão de tokens, aproximando-se de funções tradicionalmente desempenhadas por grandes instituições financeiras. Segundo os autores, esses multifunction cryptoasset intermediaries (MCIs) podem assumir riscos de crédito, liquidez e descasamento de prazos sem, em muitas jurisdições, estarem sujeitos a salvaguardas prudenciais equivalentes às aplicáveis a intermediários financeiros tradicionais. Como resposta, o estudo discute a combinação de regulação baseada na entidade e na atividade, além de maior cooperação transfronteiriça entre supervisores.

Prestadores de serviços de criptoativos como intermediários financeiros: riscos e abordagens políticas

5. MED 2.0 entra em operação em maio e amplia o rastreamento de recursos desviados por fraude no Pix

Durante o webinar Conexão ABBaaS, realizado na quarta-feira (22), o Banco Central detalhou as mudanças introduzidas pelo MED 2.0, que passará a constituir o único fluxo para acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix a partir de 11 de maio, com o desligamento definitivo do endpoint anterior de notificação de infração. A nova versão tem como principal objetivo ampliar o rastreamento de recursos desviados em fraudes, superando a limitação do modelo original, que se restringia à primeira conta recebedora. No novo fluxo, o PSP do pagador inicia o processo de recuperação de valores, cabendo ao BCB coordenar o envio de notificações às instituições ao longo do trajeto provável dos recursos. A medida busca aumentar a efetividade dos bloqueios e elevar o custo operacional da atuação de fraudadores. O BCB também enfatizou a importância de que as instituições concluam tempestivamente a adaptação de seus sistemas e realizem os testes disponibilizados desde 13 de abril, como condição para a plena entrada em operação do novo fluxo.

O que muda no Pix a partir de maio com o MED 2.0

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