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Mercado Financeiro: principais notícias de 29/06 a 03/07

03 jul. 2026 Brasil 6 min de leitura

1. BCB lança ecossistema de duplicatas escriturais

O BCB lançou, na terça-feira (30/06), o ecossistema de duplicatas escriturais, que substitui gradualmente o modelo físico por um sistema digital, padronizado e interoperável, permitindo que bancos, registradoras e demais participantes compartilhem as mesmas informações sobre cada operação. De acordo com o diretor de regulação do BCB, Gilneu Vivan, a medida busca reduzir fraudes, como uso do mesmo título em várias instituições e “duplicatas frias”, além de ampliar segurança, transparência e oferta de crédito, sobretudo para PMEs. A obrigatoriedade será escalonada da seguinte forma: grandes empresas a partir de junho de 2027, médias em dezembro de 2027 e pequenas em junho de 2028. Para Leandro Vilain, CEO da ABBC, é “factível” o mercado atingir R$ 1 trilhão de saldo em dois ou três anos. Apesar do potencial, a adaptação ainda é desafio: estudo aponta que 78% das PMEs têm defasagem relevante de conhecimento sobre o novo modelo.

BC lança ecossistema de duplicatas escriturais

Ecossistema de duplicatas escriturais inaugura novo patamar de confiança para recebíveis, diz diretor do BC

B3 está pronta para atuar como escrituradora de duplicatas escriturais

Duplicatas escriturais podem levar mercado a R$ 1 trilhão em até três anos, diz ABBC

PMEs ainda não estão prontas para ecossistema de duplicatas do BC

Mudança cultural e custos são desafios na implementação da duplicata escritural, diz CNI

2. BCB propõe retenção cautelar de envio de stablecoin ao exterior

O BCB estuda reter por até 24 horas transferências ao exterior feitas com stablecoins (ativos virtuais com referência em moeda fiduciária, como o dólar) a partir de US$ 10 mil. Segundo o BCB, a retenção de caráter cautelar, busca mitigar riscos de fraude e permitir que prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) tenham tempo hábil para analisar a operação, o perfil do cliente e o risco envolvido. Porém, a liberação antes do prazo poderá ocorrer conforme políticas internas de risco das PSAVs. A proposta atualizaria a Resolução BCB nº 142/2021, que trata de controles contra fraudes em transferências eletrônicas e serviços de pagamento no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Associações e interessados tiveram até 2 de julho para enviar avaliações sobre a proposta.

BC propõe retenção de 24 horas de stablecoin para envio ao exterior

3. BCB eleva exigências prudenciais para empresas de ativos virtuais

Por meio da Resolução BCB nº 580/2026, publicada em 1º de julho, o BCB incorporou as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs) ao arcabouço prudencial vigente, em continuidade à regulamentação iniciada pela Lei nº 14.478/2022. De acordo com a Resolução, essas empresas passam a ser classificadas como instituições do Tipo 3, em linha com o princípio de “mesma atividade, mesmo risco, mesma regulação”, conforme destacado pelo Banco Central. A partir de 1º de janeiro de 2027, elas deverão cumprir exigências de capital, gerenciamento de riscos e divulgação de informações, semelhantes às aplicadas a corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários. As SPSAVs, independentemente do porte, serão enquadradas no Segmento 4 (S4) a partir de 30 de junho de 2028, em um período de transição gradual, enquanto instituições enquadradas no Segmento 5 (S5) não poderão prestar serviços com ativos virtuais. Especialistas avaliam que a adaptação deverá elevar os custos de conformidade, exigindo reforço da governança, dos controles internos, dos sistemas e da documentação. O setor agora aguarda a edição de norma complementar pelo Banco Central para detalhar os fatores de risco aplicáveis às SPSAVs, tema objeto de consulta pública destinada a estabelecer limites e exigências de capital desse mercado.

BC faz enquadramento prudencial para sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais

Resolução BCB n° 580 de 1/7/2026

BC amplia regras para empresas de criptomoedas

Banco Central iguala exigências de plataforma cripto às de corretora

BC iguala exigências de plataforma cripto às de corretora

4. B3 lança contratos de eventos de IPCA e PIB

Nessa segunda-feira (29/06), a B3 lançou dois novos Contratos de Eventos vinculados ao IPCA e ao PIB, ampliando sua oferta de instrumentos para negociação de expectativas macroeconômicas. Autorizados pela CVM e, inicialmente, destinados apenas a investidores profissionais (aqueles que possuem mais de R$ 10 milhões em ativos financeiros ou certificação técnica reconhecida pela autarquia), esses produtos permitem a negociação direta, em ambiente regulado, de cenários relacionados à inflação mensal e ao crescimento trimestral da economia. Embora guardem semelhanças com opções tradicionais, os contratos não permitem alavancagem, limitando as perdas ao valor investido. Segundo a B3, os contratos complementam instrumentos como DI Futuro e DAP, mas oferecem uma forma mais simples e direta de negociar expectativas sobre indicadores econômicos, podendo servir para estratégias direcionais, hedge e operações táticas, além de funcionar como um termômetro das expectativas do mercado para inflação e atividade econômica.

B3 lança Contratos de Eventos de IPCA e PIB e amplia oferta de instrumentos para negociação de expectativas macroeconômicas

B3 dá novo passo no mercado de previsões com contratos de IPCA e PIB

5. Governo lança Novo Desenrola especialmente para trabalhadores informais adimplentes

Em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (29/06) foi publicada a Medida Provisória nº 1.355/2026, lançando uma nova rodada do Novo Desenrola, voltada a trabalhadores informais adimplentes ou com atraso de até 90 dias em empréstimos pessoais não consignados. Elegíveis poderão renegociar dívidas de até R$ 15 mil, desde que tenham quitado ao menos quatro parcelas ou com no máximo 90 dias de atraso, com taxa máxima de 1,99% ao mês e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O prazo de pagamento será definido conforme o prazo remanescente da dívida original. A nova prestação será limitada a 90% da parcela original e o trabalhador poderá contratar crédito adicional de até 50% do saldo devedor. Apesar da iniciativa, Febraban e ABBC avaliam que a adesão das instituições financeiras deve ser limitada em razão do teto de juros, das regras de elegibilidade e dos desafios operacionais. Segundo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, o programa pode beneficiar entre 200 mil e 500 mil pessoas, sendo que, até o momento, apenas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal manifestaram interesse em participar.

Governo cria Desenrola para adimplentes; bancos esperam pouca adesão

Governo lança Desenrola para trabalhadores informais adimplentes com taxa de até 1,99% ao mês

Febraban diz que adesão ao Desenrola Adimplentes deve ser limitada

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