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Mercado Financeiro: principais notícias de 30 a 3/4

03 Apr 2026 Brasil 5 min de leitura

Leia nesta página

1. BCB propõe restringir compartilhamento de dados no Open Finance e submete tema à consulta dos participantes

Na última semana de março, o BCB apresentou proposta para restringir o compartilhamento de dados no âmbito do Open Finance, com foco na atuação de entidades que agregam informações de clientes e as repassam a terceiros fora do sistema financeiro. A proposta, que foi apresentada ao conselho de administração do Open Finance, cria as figuras da “instituição integradora” e da “entidade parceira” e veda o compartilhamento de dados desta última com terceiros, limitando, na prática, a chamada “venda” de dados transacionais para fora do ambiente regulado. O regulador também reforça a necessidade de que tais arranjos observem as regras de “contratos de parceria”, buscando fechar lacunas exploradas por modelos baseados exclusivamente na Lei Geral de Proteção de Dados. A medida foi submetida à manifestação dos participantes do Open Finance, com prazo até o fim de março, e gerou reações distintas entre agentes do mercado, com apoio de instituições financeiras e preocupações de fintechs quanto a potenciais restrições a modelos de negócio e casos de uso.

BC propõe limitar ‘venda’ de dados do open finance e vai ouvir participantes

2. Brasil passa a prever apreensão de ativos virtuais em investigações e execuções judiciais

Na terça-feira (24), foi sancionada a Lei nº 15.358/2026, que passa a prever expressamente a possibilidade de bloqueio, apreensão e perda de ativos virtuais por decisão judicial, inclusive durante a fase de investigação, no âmbito de medidas de combate ao crime organizado. A norma insere ativos virtuais no rol de bens passíveis de constrição patrimonial e autoriza a destinação dos valores recuperados a fundos de segurança pública. A iniciativa consolida entendimento já adotado no Judiciário, incluindo decisões do Superior Tribunal de Justiça que reconhecem o valor econômico desses ativos para fins de execução, e o uso de ferramentas como o CriptoJud, sistema desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça para envio automatizado de ordens de bloqueio a exchanges. A medida reforça o enquadramento de ativos virtuais como patrimônio sujeito à atuação do sistema de Justiça, embora sua efetividade dependa do aprimoramento da integração entre órgãos públicos e da infraestrutura de rastreamento desses ativos.

Governo sanciona lei que permite apreensão de criptomoedas ainda na fase de investigação

LEI Nº 15.358, DE 24 DE MARÇO DE 2026

3. BCB publica novos procedimentos aplicáveis a PSTIs

Na quarta-feira (1º), o BCB publicou a Instrução Normativa BCB nº 718, que divulga procedimentos, documentos, prazos e informações necessários à instrução de pedidos relacionados ao credenciamento e descredenciamento de Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), bem como à prestação de informações desses prestadores ao regulador. A norma estabelece diretrizes operacionais para o relacionamento entre os PSTIs e o BCB, detalhando os requisitos aplicáveis aos processos de autorização e às obrigações informacionais desses agentes, no contexto do aprimoramento do arcabouço regulatório aplicável a infraestruturas e prestadores de serviços tecnológicos no sistema financeiro. A Instrução Normativa entrou em vigor na quarta-feira (1º), data de sua publicação.

Instrução Normativa BCB n° 718 de 1/4/2026

4. BCB apresenta agenda prioritária para regulação de ativos virtuais

O BCB divulgou sua agenda prioritária para a regulação de ativos virtuais, detalhando os próximos passos na implementação do marco regulatório do setor no país. Entre os principais pontos, o regulador indicou o avanço na definição de regras aplicáveis aos prestadores de serviços de ativos virtuais, com foco em temas como segregação patrimonial, governança, gestão de riscos, requisitos operacionais e controles relacionados à prevenção à lavagem de dinheiro. A agenda também contempla o aprofundamento de diretrizes para funcionamento dessas instituições, bem como o fortalecimento dos mecanismos de supervisão e acompanhamento do setor, em linha com a evolução dos modelos de negócio e com as discussões internacionais sobre o tema. O movimento se insere no processo de consolidação do arcabouço regulatório inaugurado pela Lei nº 14.478/2022, reforçando a estratégia do BCB de estruturar um ambiente mais seguro e transparente para o desenvolvimento do mercado de ativos virtuais no Brasil.

BC revela agenda prioritária em ativos virtuais

5. CVM promove mudanças em superintendências

A CVM realizou mudanças na chefia de quatro superintendências, por decisão do presidente interino, em um contexto de questionamentos recentes sobre a atuação da autarquia, especialmente em relação às recentes liquidações que aconteceram no sistema financeiro. As alterações ocorrem em áreas estratégicas da estrutura técnica e se inserem em um contexto de avaliação sobre a atuação do regulador, especialmente em relação a operações estruturadas e à atuação de fundos de investimento. As discussões ganharam força após a divulgação de estruturas consideradas complexas e de difícil rastreabilidade, com destaque para o uso de estruturas envolvendo fundos de investimento e outros veículos associados a desafios de visibilidade sobre determinadas operações. O movimento indica um reposicionamento interno da CVM em meio ao ambiente de pressão institucional e reforça o debate sobre o aprimoramento de mecanismos de supervisão e transparência no mercado de capitais, incluindo a avaliação de estruturas envolvendo fundos com maior grau de opacidade e desafios de rastreabilidade de ativos subjacentes.

Presidente interino da CVM muda chefes de quatro superintendências em meio a crise com caso Master

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Esquema do Master com fundos ‘opacos’ evidencia fragilidades da CVM

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