IA, crédito e financeiro autônomo: conversa com Igor Senra, fundador da Cora
Parte 2 - 8º episódio da série "Dilemas Jurídicos da IA"
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Nessa nova edição da série Dilemas Jurídicos da IA, Vicente Piccoli M. Braga e Karine Oliveira, sócios de Banking and Finance do FAS, conversaram com Igor Senra, fundador e CEO da Cora, instituição financeira digital dedicada exclusivamente a pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras, sobre como a inteligência artificial (IA) já está transformando o sistema financeiro - especialmente na concessão de crédito para tais empresas.
Ao longo da entrevista, Igor trouxe uma visão bastante pragmática sobre o uso da IA: Menos como tendência futurista e mais como infraestrutura operacional capaz de mudar a forma como instituições financeiras analisam risco, desenvolvem produtos e se relacionam com clientes.
Um dos pontos mais interessantes da conversa foi justamente a ideia de que crédito não deve ser tratado apenas como uma decisão binária de aprovação ou negativa, mas deve partir de uma compreensão sobre o estágio real do negócio. Segundo Igor, o grande desafio é entender se a empresa está, de fato, pronta para receber crédito.
"Se você dá crédito para uma empresa que não está pronta, o crédito funciona como uma âncora."
Nesse cenário, a IA passa a ter um papel central na análise de risco como ferramenta para ampliar a capacidade de leitura do negócio. A entrevista mostra como modelos atuais vão muito além de critérios tradicionais e passam a considerar uma combinação ampla de informações - movimentação financeira, comportamento transacional, histórico da empresa e até sinais relacionados à disposição de pagamento. Mais do que automatizar decisões, a tecnologia permite identificar padrões, inferir cenários e construir análises muito mais individualizadas.
Outro tema relevante é o uso de IA para transformar modelos complexos de crédito em recomendações mais compreensíveis para o cliente. Igor explicou que um dos objetivos da Cora é conseguir mostrar, de forma prática, o que uma empresa precisaria melhorar para aumentar suas chances de acesso a crédito. A lógica deixa de ser apenas a redução de perdas e passa a incorporar elementos de orientação financeira e apoio no desenvolvimento do negócio.
Mas talvez a visão mais interessante apresentada na conversa tenha sido a perspectiva de um “financeiro autônomo” para PMEs - em que sistemas inteligentes passem a executar, monitorar e orientar rotinas financeiras quase de forma invisível para o empreendedor, mas sempre com alertas e governança, permitindo que ele concentre esforços no core do próprio negócio.
Nas palavras de Igor:
"O padeiro deveria focar no pão, não no financeiro."
Ao mesmo tempo, a entrevista evidencia alguns dos principais dilemas jurídicos e regulatórios que acompanham essa transformação: transparência em modelos automatizados, uso e cruzamento de dados, explicabilidade algorítmica e accountability em sistemas autônomos.
A conversa completa aprofunda essas discussões e traz ainda outros insights sobre IA, sistema financeiro, Open Finance, desenvolvimento de produtos e o futuro da relação entre tecnologia, uso da inteligência artificial e tomada de decisão no setor financeiro.
- O uso estratégico de IA na operação da Cora
- O impacto da IA dentro das próprias organizações, incluindo redução de tempo no desenvolvimento de certos projetos e, consequentemente, o seu custo
- O estágio atual do Open Finance para pessoas jurídicas no Brasil e os desafios relacionados à qualidade de dados e obtenção de consentimento
- A maturidade do uso da IA nos serviços financeiros por instituições brasileiras, comparada a outros países
- O uso de dados comportamentais da empresa e de seus sócios como base para novos modelos de análise de crédito
- Como a IA pode ser aplicada ao desenvolvimento e personalização de produtos financeiros
- A IA como ferramenta de potencialização humana, sem que a pessoa deixe de ser o agente central